A arte de abandonar quem julgava que devia ser
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Artigo escrito por Heloísa Costa
Considero que o autoconhecimento é a chave para vivermos a nossa vida mais feliz e autêntica. Na minha visão só podemos estar felizes quando vivemos quem somos e para vivermos quem somos, temos que em primeiro lugar que saber quem somos.
Não nos conhecermos é perdermo-nos da vida, é entregarmo-nos ao acaso, é não sentir a verdadeira energia vital que nos corre nas veias, é vivermos apagados. Só quando nos conhecemos vivemos em verdadeiro alinhamento.
O Human Design como a cereja no topo do meu bolo
O Human Design veio já tarde no meu processo de autoconhecimento e descoberta: passei pela Astrologia, pela Numerologia, pela Leitura da Aura, pelos exercícios de Coaching, pelas perguntas poderosas e questionamentos sobre mim, pelo poder do grupo em retiros, cursos, e meditações de aprofundamento interior.
O Human Design surge assim na minha vida numa altura em que já me conheço melhor, quando já sei melhor quem sou em essência e aquilo que quero para mim.
No entanto, é como se esta ferramenta me desse algo que as outras não me deram: um mapa para navegar na prática. Um mapa para navegar a vida em alinhamento com quem realmente sou.
Quando comecei a mergulhar fundo no que o Human Design me mostrava sobre mim, foi como se fosse finalmente entendida. Como se alguém lesse exatamente aquilo que eu sou e não me julgassem, sabem?
Como se finalmente me entendessem e me dissessem “é ok seres assim, é normal sentires-te assim. Somos todos diferentes, e eu entendo quem tu és.”
E isto permitiu-me acolher quem sou, confiar na vida e trilhar um caminho só meu.
Conhecermo-nos é pôr em causa tudo aquilo em que acreditávamos como verdades
Neste processo de descoberta interno, aquilo que senti mais transformador e duro foi ter a coragem de aceitar verdades que eu sentia em mim, mas que a sociedade julgava e apontava como defeitos. Isto levou-me num percurso penoso de descondicionamento e questionamento de tudo o que tinha aprendido até aqui.
Duro, mas fortalecedor e empoderador ao mesmo tempo. Porque no final do dia integrei que sou eu a dona da minha vida e não quem me julga e aponta de fora.
E estas são algumas das verdades que o Human Design me ajudou a aceitar em mim:
Estás aqui para sentir satisfação em tudo o que fazes
Sempre senti em mim uma crença: não é suposto eu sentir dor, nem sofrimento. E sempre tentei procurar aquilo que realmente me fazia sentir bem, mesmo que nem sempre fossem as decisões mais racionais.
Mas muitas vezes ouvia a expressão “pois, a vida é dura, temos que fazer sacrifícios”. Como se houvesse uma normalização daquilo que não nos faz bem, mas que a sociedade diz como correto. E vamos aceitando coisas que até nem queríamos para nós, porque “é assim que as coisas são”.
Com o meu desenho de Human Design, aprendi que estou aqui para viver na satisfação e não na frustração e isso passa por dizer sim aquilo que me entusiasma e não aquilo que me desmotiva.
Ainda que racionalmente as decisões que me causam entusiasmo não sejam bem entendidas lá fora, eu sei que aquilo que sinto como certo para mim é soberano.
Confia na tua voz interior.
Sempre ouvi as vozes lá fora: as vozes que me diziam que o caminho era por aqui ou por ali. Vozes que me orientavam em determinados momentos da vida, mas que muitas vezes me ajudavam mais a perder-me do que a encontrar-me.
Com o Human Design aprendi que a minha intuição é o meu guia, e aprendi a conectar-me com ela. Eu já ouvia as vozes dentro de mim, já sentia muito em mim o que devia fazer, o que devia dizer.
Mas nesta busca da validação externa acabei por desconectar-me desta bússola. Na verdade, ninguém nos diz na escola que ela existe, e se nós dissermos que sentimos coisas, é melhor calarmo-nos ou acham que somos maluquinhos.
Hoje admito que a maior parte das decisões que tomo não são tomadas pelo meu Eu racional, mas por aquela vozinha interior que sabe sempre o que é certo. Aprendi a escutar menos as vozes externas e mais a minha voz interna. Aprendi que as respostas certas estão dentro de mim e não no que é suposto lá fora.
E o mais engraçado, é que sempre que tomo decisões ouvindo esta voz, a magia acontece, os caminhos abrem-se e a vida flui.
O teu corpo sabe mais que a tua mente
Vivemos desconectados do nosso corpo. A sociedade em que vivemos coloca-nos num piloto automático que nos desconecta do sentir. Incentiva-nos a usar a mente, o raciocínio lógico, mas retira-nos o mais básico: a inteligência de um corpo feito e perfeito para nos proteger, para nos alertar dos sinais de perigo das decisões.
Com o meu processo no Human Design aprendi que o meu corpo sabe sempre o que é certo para mim.
Eu consigo sentir o meu corpo a expandir-se quando sinto entusiasmo para fazer algo, e consigo sentir o meu corpo a contrair quando algo não é para mim. Eu consigo sentir no corpo quando estou num lugar em que não quero estar, quando estou nervosa, quando algo está a mexer comigo e a pedir-me que me retire daquela situação.
Nesta conexão com o corpo aprendi a sentir pela primeira vez a paz verdadeira e a certeza das decisões certas para mim. Aprendi que ansiedade e agitação não são bons sinais, são sinais de que estou a fazer algo que não está alinhado comigo. E aprendi a recuar nesses momentos, independentemente do que a minha mente me diga que seria o suposto “correto”.
Com o tempo e a experiência fui aprendendo a encontrar o sentido das coisas menos na mente e mais no coração.
É preciso irmos permitindo-nos seguir o mapa sem pressa de chegar
Este processo de voltarmos a nós, é um processo de reaprender a viver.
É duro, mas se não o fizermos, ficamos agarrados a comportamentos e crenças que já não nos servem, por hábito. Ficamos agarrados aquelas vozes que ouvimos desde pequenos, e que nos afastam da única voz que realmente importa: a nossa.
É um processo difícil, que tem que ser praticado a cada dia. Em que temos que trazer a compaixão para conosco próprios de entender que nem sempre estamos preparados para ir à velocidade que desejaríamos ir e que tudo tem que ser praticado várias vezes para ser integrado.
Tudo isto, é sobre darmo-nos tempo para, seguindo o mapa que vamos construindo de nós, fazermos o caminho. Ir deixando que aquilo que descobrimos sobre o nós ocupe o lugar das novas verdades, das nossas verdades.
É sobre viver na alegria de ir descobrindo e conquistando a cada dia, e surpreender-nos connosco mesmos e com as nossas capacidades uma, e outra, e outra vez.
No final do dia, conhecermo-nos é ter a coragem de finalmente viver em liberdade.
Relatos de uma geradora,
Heloísa Costa
https://www.instagram.com/heloisacosta.mentora/